Fascite plantar e esporão do calcâneo

Causas, sintomas e tratamento com ondas de choque

Resposta rápida: a fascite plantar é a inflamação e o desgaste da fáscia, uma faixa resistente na sola do pé, e é a causa mais comum de dor no calcanhar. O sinal clássico é a dor forte nos primeiros passos da manhã. A maioria dos casos melhora com alongamento, calçado adequado e palmilhas; quando a dor persiste por meses, a terapia por ondas de choque é uma opção não invasiva, feita em consultório.

“Doutor, parece que estou pisando em um prego quando levanto da cama.” Essa frase é quase um diagnóstico. Ela aparece todas as semanas no consultório, vinda de quem passa horas em pé no curral, na lavoura, no comércio ou na cozinha.

Entender o que está acontecendo no pé ajuda a escolher o tratamento certo e a não perder meses tentando soluções que não atacam a causa.

O que é a fáscia plantar?

É uma faixa de tecido firme que vai do calcanhar até a base dos dedos. Ela funciona como um “cabo” que sustenta o arco do pé e absorve impacto a cada passo. Quando recebe mais carga do que consegue suportar, surgem microlesões perto do calcanhar é a fascite plantar (muitos médicos hoje preferem o termo fasciopatia, porque há mais desgaste do que inflamação).

Fascite plantar e esporão são a mesma coisa?

Não. O esporão do calcâneo é uma pequena calcificação óssea que aparece no raio-X, no ponto onde a fáscia se prende. Muita gente tem esporão e nunca sentiu dor, e muita gente tem fascite sem esporão. Na prática, a dor quase sempre vem da fáscia, não do “bico” de osso. Por isso, o tratamento mira a fáscia e raramente é preciso operar para retirar o esporão.

Sintomas da fascite plantar

  • Dor na parte de baixo do calcanhar, às vezes na parte interna
  • Dor intensa nos primeiros passos da manhã ou após ficar sentado
  • Melhora depois de “esquentar” o pé, mas volta no fim do dia
  • Piora ao ficar muito tempo em pé, subir escadas ou andar descalço

Quem tem mais risco?

  • Pessoas entre 40 e 60 anos
  • Quem trabalha muitas horas em pé ou em piso duro
  • Sobrepeso
  • Panturrilha encurtada e pé muito plano ou muito cavo
  • Corredores e quem aumentou atividade física de repente
  • Uso de chinelo, sapatilha ou botina sem amortecimento

Tratamento inicial: o que resolve a maioria dos casos

Cerca de 80% a 90% dos pacientes melhoram com tratamento conservador, mas a recuperação pode levar meses. Os pilares são:

  1. Alongamento da panturrilha e da fáscia, várias vezes ao dia, principalmente antes de levantar da cama.
  2. Calçado com bom amortecimento e palmilhas ou calcanheiras de silicone.
  3. Redução temporária da carga: menos tempo em pé e pausa na corrida.
  4. Fortalecimento dos músculos do pé com fisioterapia.
  5. Controle de peso, quando necessário.
  6. Medicação para dor por curto período, com orientação médica.

Terapia por ondas de choque: quando é indicada

Quando a dor continua apesar de 3 a 6 meses de tratamento bem feito, as ondas de choque entram como uma opção não invasiva antes de pensar em cirurgia.

Como funciona: não é choque elétrico. São ondas sonoras de alta energia aplicadas na pele sobre o calcanhar. Elas estimulam a circulação local e a regeneração do tecido e reduzem a sensibilidade à dor.

Como é a sessão:

  • Feita no consultório, sem anestesia, sem cortes e sem internar
  • Dura de 10 a 20 minutos; costuma ser incômoda durante a aplicação, mas tolerável
  • Normalmente são de 3 a 5 sessões, com intervalo de uma semana
  • O paciente volta para casa caminhando e retoma a rotina no mesmo dia

O que dizem os estudos: revisões mostram taxas de sucesso que variam bastante, de cerca de 34% a 88%, conforme o tipo de aparelho e o protocolo. Comparada à cirurgia, a terapia apresentou resultados funcionais semelhantes com menos efeitos adversos e recuperação mais rápida. A melhora costuma ser progressiva ao longo de semanas, e não imediata.

Quem não deve fazer: gestantes, pessoas com distúrbios de coagulação ou infecção e tumor no local. Uso de anticoagulante precisa ser avaliado pelo médico.

Outras opções da medicina da dor

  • Infiltração guiada por ultrassom: permite aplicar o medicamento com precisão, reduzindo riscos. Infiltrações repetidas de corticoide na fáscia devem ser evitadas.
  • Plasma rico em plaquetas (PRP): opção da medicina regenerativa para casos selecionados e refratários.
  • Cirurgia: reservada para a minoria que não melhora com nenhuma das opções acima.

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Perguntas frequentes sobre fascite plantar

Fascite plantar tem cura?

Sim. A grande maioria dos pacientes fica sem dor com tratamento conservador. O que exige paciência é o tempo: a recuperação pode levar meses, e manter os alongamentos evita que a dor volte.

Por que o calcanhar dói mais de manhã?

Durante a noite a fáscia fica encurtada. Nos primeiros passos, ela é esticada de uma vez, e isso provoca a dor. Alongar o pé antes de levantar ajuda bastante.

Ondas de choque doem?

Causam desconforto durante a aplicação, que dura poucos minutos. A intensidade é ajustada conforme a tolerância do paciente, e não é preciso anestesia.

Quantas sessões de ondas de choque são necessárias?

Na maioria dos protocolos, de 3 a 5 sessões semanais. A melhora costuma aparecer de forma progressiva nas semanas seguintes.

Ondas de choque “dissolvem” o esporão?

Não é esse o objetivo. A terapia trata a fáscia, que é a verdadeira fonte da dor. O esporão pode continuar no raio-X mesmo com o paciente sem dor.

Qual o melhor calçado para fascite plantar?

Calçados com bom amortecimento no calcanhar, suporte ao arco e salto baixo (cerca de 2 a 3 cm). Evite andar descalço em piso duro, chinelos finos e sapatilhas totalmente planas.

Quando procurar um médico?

Se a dor no calcanhar dura mais de algumas semanas, atrapalha o trabalho ou piora apesar dos cuidados em casa. Dor com inchaço, vermelhidão, febre ou após trauma deve ser avaliada logo.

Viver com dor não é normal. Se a dor no calcanhar já dura semanas, o Dr. Sidney Max avalia o seu caso e indica o tratamento mais adequado, incluindo a terapia por ondas de choque, feita no próprio consultório, no Hospital Santa Helena, em Unaí-MG.

Agendar pelo WhatsApp: (38) 99755-4555

Sobre o autor: Dr. Sidney Max é médico da dor, ortopedista e especialista em medicina regenerativa. CRM-MG 64635 · RQE 42232/59107 · TEOT 16220. Conteúdo educativo revisado pelo autor; não substitui consulta médica.

Referências: Afya Portal – Tratamento por ondas de choque para fascite plantar; revisões sistemáticas sobre terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) na fascite plantar crônica.

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Dr. Sidney Max

CRM - MG 64635 / RQE 42232/59107 / TEOT 16220
Médico da dor, Ortopedista e Especialista em Medicina Regenerativa